Carlos Vereza

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

BUCK: SER OU NÃO SER!

...De volta aos seus novos aposentos - sempre em tons sombrios com paredes metálicas - Buck não sentia mais a angústia da gruta onde estivera encerrado. Mas o odor persistia, com as vozes em eco misturadas à lamentos indefinidos. "Meus Deus, o que fiz da minha vida..." o verso de Fernando Pessoa lhe veio inesperadamente causando-lhe um principio de pavor, pois sabia que os pensamentos de todos naquela enorme caverna, podiam ser apreendidos pelos vigilantes de Groncho que postavam-se diuturnamente à sua porta. Esperou um tempo. Nenhuma reação vinda de fora. Imagens de sua juventude, de sua formatura, vinham-lhe como um filme rebobinado ao contrário, com o verso de Pessoa repetindo, como se aumentasse de volume. Amaro viu-se perdido em meio a pensamentos contraditórios. Sabia que se colaborasse, sua situação poderia melhorar, talvez lhe colocassem em um local menos tétrico, e sem o nauseante odor que lhe causava vômitos ininterruptos.
Que diferença faria? Estava  "morto", sempre procedera corrompendo e sendo corrompido, era só continuar com a mesma atitude, e agora, com maior facilidade, pois atuaria sem que fosse percebido. Mas por que vinha-lhe a mente o momento de seu desencarne quando, após o enorme tédio que o levara a pensar numa mudança de comportamento, acordara na espessa escuridão com o frio que lhe atravessava o "corpo?" Seus pensamentos foram interrompidos por uma sirene e uma voz por autofalante gritando o seu nome.

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