Carlos Vereza

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Crepúsculo

As pessoas são frágeis. Não agite antes de usá-las. Sobretudo ouça com atenção suas estórias, ainda que aparentemente monótonas ou desinteressantes. As memórias...Ante o futuro incerto, é nelas e com elas que nos sustentamos...(à falta de outra coisa...) Um porta-retratos, uma foto esmaecida, um samba canção (fósforo queimado com Angela Maria) um baile em um subúrbio qualquer... As fragilidades... os amores...(no andar de cima a viúva dedilhava Chopin...) Ainda meu querido Drummond: "De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco. Dos gritos gagos. Da rosa ficou um pouco." E com este "pouco" acordamos, insonias, antiga mancha no teto me contempla. Sonhamos utopias. Contabilizamos os fracassos. Quem dera, fossemos os Esseniors, que viviam em silêncio, distantes de tudo que pudesse macular o modo de vida rigorosamemente recluso em que viviam. A viúva, agora, bate forte nas teclas graves. Mas, nós, precários "heróis" de um repetitivo cotidiano, o que custa ouvirmos as pequenas epopéias, os lamentos, e, até mesmo (mas raramente) momentos de felicidade: a formatura da filha, o vestido de noiva, amarelecido, guardado até hoje, embrulhado num pano de cetim... Afinal, temos em comum, a finitude, o colágeno que insiste em obedecer a Lei da Gravidade, a opacidade do olhar, o desfilar implacável do tempo... Mas de tudo há de ficar um pouco...(Chopin escorre pelas paredes).

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