Carlos Vereza

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domingo, 18 de outubro de 2009

MACUNAÍMA VIVE

Nada de mais grave. O Brasil não comporta tiradas metafísicas. Não há espaço para Shopenhauer, Anaxímenes, Hegel ou Kant. Fiquemos no previsível, na platitude, nos pensamentos acacianos... Os trópicos... O sol inabalável, a meio metro de sua cabeça... O langor... O banzo... A Casa Grande e a Senzala. O Pai dos Pobres... O erotismo barato. O orgasmo coletivo na apuração do desfile das escolas de samba, o gol do flamengo, a escova progressiva no lugar do progresso. Perdemos o bonde da história; cambalhoteando da “descoberta” à decadência, botocudos, celebrando Machado de Assis e internando Lima Barreto, visceral, louco de tanta sensibilidade. A Semana de Arte Moderna, a Antropofagia como consolação (indigestão previsível...), eternos ressentidos com o mundo desenvolvido, nós, os próprios culpados do perene subdesenvolvimento. O que fazer? Perguntem ao Lênin. Votem nos políticos e seus bigodes, suas barbas de “esquerda”. “A doença infantil do esquerdismo”: Lênin novamente. Liberemos a maconha e mantenhamos o país sonambúlico. Macunaíma para presidente, eternamente reeleito com o dedo mínimo espertamente decepado... Intelectuais, empanturrados, de Proust e seus biscoitos e a lepstopirose, convivendo com 15 milhões de analfabetos! Nada mal: domingo tem clássico, torçamos, e nossa pálida revolta ficará circunscrita a duas bolas na trave. Vozes bêbadas em coro: -Juiz ladrão!!!

3 comentários:

SARASWATTI disse...

Pão, circo e bebida (alcoólica!)!!!

Teca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teca disse...

"Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos".

Muito bom o texto.

Bjs, Marina.