Carlos Vereza

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

FRAGMENTOS

As pessoas são frágeis. Não agite antes de usá-las. Sobretudo ouça com atenção suas estórias, ainda que aparentemente monótonas ou desinteressantes. As memórias... Ante o futuro incerto, é nelas e com elas que nos sustentamos...(à falta de outra coisa). Um porta-retratos, uma foto esmaecida, um samba canção (fósforo queimado, com Angela Maria), um baile em um subúrbio qualquer. As fragilidades, os amores... (no andar de cima a viúva dedilhava Chopin). Ainda meu querido Drummond: "De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco. Dos gritos gagos. Da rosa ficou um pouco." E com este "pouco", acordamos, insones, o olhar fixo na mancha do teto que nos contempla, sonhamos utopias, contabilizamos os fracassos. Quem dera fossemos os Essenios, que viviam em silêncio, distantes de tudo que pudesse macular o modo de vida rigorosamente recluso em que viviam. (A viúva, agora martela fortemente os graves) Mas, nós, precários "heróis" aprisionados em um repetitivo cotidiano, o que nos custa ouvirmos as pequenas epopéias, os lamentos, e, até mesmo (mais raramente) murmúrios de felicidade. A formatura da filha, o vestido de noiva amarelecido guardado até hoje, embrulhado num pano de cetim... Afinal, temos em comum, a finitude, o colágeno que insiste em obedecer a Lei da Gravidade, a opacidade no olhar, o desfilar inexorável do tempo... Mas de tudo há de ficar um pouco... (Chopin agora escorre pelas paredes...)

3 comentários:

SARASWATTI disse...

"Quem dera fossemos os Essenios, que viviam em silêncio, distantes de tudo que pudesse macular o modo de vida rigorosamente recluso em que viviam."

Quem dera...
Às vezes, tudo o que precisamos é de um pouco de silêncio... e paz.

Julio Teixeira disse...

Sillêncio e meditação.

O momento é grave e marca com tinta escura a fronteira do velho e do novo.

O novo já brilha no olhar das crianças.

O velho no entulho autoritário que insiste em falar em democracia.

O Petismo não deixa de ser o nazismo de ontem, com a estrela vermelha em vez da suástica.

Mas existe a Sowástica cujo movimento é de direita e é esse o símbolo Tibetano e Hindu...

Margarete disse...

Boa noite