Carlos Vereza

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domingo, 8 de novembro de 2009

O sol e o sino

O boi. Arrasta-se. De vida Só o sino No pescoço. Esquálido. Transparente. No lugar do corpo, um osso. Um único e inacreditável osso. Cambaleia o boi. Tilintando o sino. De eco ou resposta Nenhum sinal. O sol não se pôe não se deita Espreita o boi "Saboreia" a precária colheita A terra abrasa queima. O osso tropeça teima. Um inaudível mugido o fim pressentido. As aves de rapina não rapinam. Numa inesperada delicadeza voejam em torno do boi formando uma nuvem negra como a protegê-lo do sol Pressentem o herói a luta a morte. O animal pára. Arqueja. Dobra as patas da frente. Acabou o sino a sina e a sorte. Uma costela fura o que era pele e como uma lança "protesta" ao mundo ao mudo e surdo mundo. Desaba a carcaça no Agreste. Triste Nordeste eterna dor eterna peste. Um vento sacode o sino ecoando em vão na terra incendiada. As aves, negras, respeitosamente retiram-se ante a aproximação de dois expectros que volitam e choram por mais um "causo" rotineiro: Euclides da Cunha e Antônio Conselheiro

4 comentários:

SARASWATTI disse...

Pôxa!
O Senhor nunca respondeu a nenhuma de minhas mensagens nem ao meu e-mail...
Raivinha de mim? Rs rs rs...
Mesmo assim te admiro muito,viu?!
Beijos da BEN,
pra vc e pra Larissinha tb.

Nas veredas do Vereza disse...

ESTIMADA SARASWATTI,

VOCÊ É A MINHA "SEGUIDORA" PREDILETA.
JÁ LHE ENVIEI UMA MENSAGEM APÓS O TEXTO EM QUE EU COMENTAVA SOBRE AS ADOLESCENTES DA ORLA DE FORTALEZA.

UM ABRAÇO,
CARLOS VEREZA.

SARASWATTI disse...

"Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos." (Euclides da Cunha)

*********

Estimado Carlos Vereza,

Obrigada pela atenção. Precisava ver o tamanho do meu sorriso. Adorei o PREDILETA!!!!
Pode me chamar de BEN, como sou mais conhecida.

Abraço da BEN.

Anita Fogacci disse...

Há tempos tentei escrever algo parecido. Eu pretendia, com a humildade da minha prosa, entender a desolação de um outro universo, diferente do meu. Reportei-me ao nordeste, coisa que eu só tinha feito através de alguns autores. Quando li Sagarana pela primeira vez, pude visualizar dores alheias, e confesso Vereza, presenciei mortes, festas e até mesmo um burrinho já no fim do seu cumprimento; foi uma viagem inesquecível. Por um acaso – um achado valiosíssimo – encontrei o seu blog, após receber um email de uma colega. Há no seu texto uma música triste, mas real. Parabéns!