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sexta-feira, 12 de junho de 2009

As irmãs Fox

A comunicação com os espíritos, por ser uma das leis da natureza, existe desde o começo da criação. Abraão, Moisés e todos os profetas do velho e novo testamentos eram médiuns, assim como nosso mestre Jesus. A eclosão contemporânea do espiritismo teve lugar nos Estados Unidos, precisamente em um pequeno bairro de Nova York - Hyde Ville -, numa modesta residência onde moravam as irmãs Fox, com seus progenitores. Durante vários meses, as irmãs Kate, 7 anos e Margareth, 10 anos, começaram a perceber certos ruídos provenientes do assoalho da casa. Com o tempo as crianças constataram que os ruídos apresentavam um certo ritmo, como se fosse uma espécie de código, sendo que, cada batida, identificava-se com uma letra do alfabeto. Quando mais tarde, retiradas algumas tábuas, mas precisamente de onde surgiam as batidas, e para espanto geral, depararam-se com um cadáver em adiantado estado de decomposição. O fato espalhou-se rapidamente por todo o pequeno bairro e descobriu-se, que o corpo, era o de um caixeiro viajante, que havia sido assassinado e enterrado no porão da residência, antes da mesma ser habitada pela família Fox. Sem dúvida, foi através do espírito do mascate e da intuição mediúnica das duas crianças, que a inusitada ocorrência, chamou a atenção, em 1848, para a evidência da comunicação entre os dois planos da existência. Esta história, verídica, teve enorme repercussão e quase, que imediatamente, chegou à Europa, onde iniciava-se o fenômeno das mesas girantes, sobretudo à Paris, onde os aristocratas divertiam-se nas reuniões das mesas "girantes ou falantes". Apenas um homem, Hipolite Léon Denisart Rivail, convidado para uma dessas reuniões, percebeu, que, por trás daquelas movimentações, havia uma ou várias inteligências responsáveis pela movimentação das mesas. O senhor Rivail, foi um pedagogo e escritor francês; poliglota, era membro da Academia Real das Ciências e da Sociedade das Ciências Naturais de França. Convencendo-se de que os movimentos complexos deviam-se à intervenção de espíritos, Rivail dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração, entre os conhecimentos, científico, filosófico e religioso. Adotou, nesta tarefa, o pseudônimo que o tornaria conhecido: Allan Kardec, nome este, segundo o que lhe informara um espírito, teria utilizado em uma encarnação anterior como Druída. Muitos espíritas ainda não sabem que “O Livro dos Espíritos”, foi composto basicamente, de forma surpreendente por duas jovens irmãs, médiuns psicografantes - as jovens Caroline Baudin, de dezoito anos, e Julie Baudin, de apenas quinze anos. A origem de “O Livro dos Espíritos”, primeira obra da codificação kardequiana, já demonstrava, de maneira inequívoca, que se tratava de um fenômeno mediúnico absolutamente autêntico e impossível de ser blefado por jovens e ingênuas meninas psicógrafas, que produziam as informações - respostas, a partir de um lápis de pedra amarrado à uma cesta de vime, escrevendo mediante impulso mediúnico, sobre um rudimentar quadro de ardósia, nascendo assim a primeira obra da codificação. Allan Kardec, foi obrigado a omitir os nomes das jovens médiuns, para protegê-las da feroz oposição que levantou-se, quando da publicação do livro, enfrentando sozinho a fúria de setores religiosos e tradicionais. Carlos Vereza, a partir de “A historia do Espiritismo”, de Arthur Conan Doyle.

domingo, 7 de junho de 2009

O Ator

“...Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia e depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como um viajor solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia é obrigado a vagar pelos labirintos da sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem...” Plínio Marcos

"Escrever bem é cortar palavras..." Carlos Drummond de Andrade

Peço desculpas aos que, por ventura, acessem este Blog pelo uso excessivo de adjetivos ao expor minha opinião sobre Lula e o PT. Mas, tenho dificuldades em ser substantivo, tratando de tão lamentável tema.

sábado, 30 de maio de 2009

O CONCEITO DE HEGEMONIA EM GRAMSCI

Ainda sobre Gramsci, eis o que diz numa passagem de Il risorgimento: - “A supremacia de um grupo social se manifesta de dois modos, como dominação e como direção intelectual e moral. Um grupo social é dominante dos grupos adversários, que tende a liquidar ou a submeter, inclusive com a força armada, e é dirigente dos grupos afins e aliados. Um grupo social pode, ou mesmo deve ser dirigente já antes de conquistar o poder governamental. É essa uma das condições principais para a própria conquista do poder.” Qualquer semelhança com a “estratégia” dos aloprados do PT, é mera coincidência...

A VORACIDADE NO PODER

A VORACIDADE NO PODER A bolsa família é a mais cruel e hipócrita “caridade governamental”, cujo verdadeiro objetivo é anestesiar a consciência de milhões de brasileiros, tirando-lhes o direito à cidadania, caçando-lhes quaisquer perspectivas de inclusão social. Os “intelectuais” petistas, decorebas do defasado pensador italiano Antônio Gramsci – “hegemonia: a ditadura do proletariado...”, utilizam-se da democracia – com o megalômano Luis Inácio à frente - , para posteriormente destruí-la. Não interessa ao arrogante palanqueiro e seus sequazes, a criação de frentes de trabalho, a construção de açudes, estradas, e a tão necessária malha ferroviária indispensável num país de dimensão continental. O que lhes importa, é “ocupar o poder por dentro”, infiltrando na máquina governamental seus apaniguados, para a devida arrecadação dos dízimos pagos com o dinheiro do contribuinte, e, assim, robustecer a caixa da famiglia, digo, do partido... A permanência no poder: este é o projeto destes bucaneiros travestidos de socialistas, com a cumplicidade e o silêncio de boa parte dos “teóricos” da USP, UNICAMP e os teólogos da “libertação...” Pobre Brasil, saqueado com uma voracidade nunca vista, pelos “paladinos” da ética e da moralidade... Lamento macular meu despretensioso blog com este inútil desabafo, mas, não consigo manter-me omisso à covarde destruição das nossas, ainda tão frágeis, instituições democráticas. Carlos Vereza P/S: “Calo-me, espero, decifro. As coisas talvez melhorem. São tão fortes as coisas! Mas eu não sou as coisas e me revolto.” Carlos Drummond de Andrade

domingo, 17 de maio de 2009

O ETERNO JORNALEIRO

Benedito Ruy Barbosa, O último dos moicanos, o eterno jornaleiro, memorialista emocionado, que trocou as “madaleines” de Proust, pelos bolinhos de chuva; persistente buscador da utopia, do Brasil esquecido, que na contramão do “progresso” high tech, ainda acredita na cordialidade, na ingenuidade, ainda não de toda corrompida do povo brasileiro. Suas novelas, que eu sei ele escreve chorando, buscam – parafraseando nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade -, transmitir um país que seja mais do que “um retrato na parede” e nós sabemos como dói... Benedito está em boa companhia: Lima Barreto, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Dias Gomes, Castro Alves, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Catulo da paixão Cearense, Tom Jobim, e tantos outros, opostos dos macunaímas, dos predadores de sonhos, que se imaginam sofisticados intelectualmente e não passam de patéticas caricaturas com os olhos voltados para uma cultura esvaziada de qualquer sentido, repetitiva, eivadas de um niilismo decadente, calcadas na estética do clipe e da violência, “intelectuais” que voltam as costas ao verdadeiro país, que a despeito da avalanche de informações tecnológicas, debate-se com a miséria, com o analfabetismo, a falta de cidadania e submissos ao DNA populista de nossos governantes. Penso em Villa Lobos, que aclamado pelos grandes centros musicais, europeus e americanos, preferiu se embrenhar nas matas amazônicas e que nos deu como fruto, suas inacreditáveis sinfonias, que maravilham até hoje, os maiores eruditos internacionais. O povo precisa das novelas de Benedito, de seus personagens ainda perplexos, do chamado e rejeitado Brasil profundo, que a despeito dos apetites vorazes, do arraigado coronelismo, é de onde surgirá a Terra Prometida, o Celeiro da Humanidade. É evidente que não está se propondo uma cultura xenófoba, sobretudo com a irreversível e desejável globalização, mas é fundamental que procuremos esculpir o rosto brasileiro, ainda que coberto de rugas e sofrimentos históricos, mas ele existe; E são artistas como o Benedito, que dignificam o grande teatro eletrônico, acreditando que é possível manter viva, através do entretenimento e cultura, as profecias que apontam o Brasil como o país do futuro, e por quê não, A Pátria do Evangelho. Carlos Vereza

A ESTÉTICA DA CONTEMPLAÇÃO

A novela Paraíso, além do belo texto de Benedito Ruy Barbosa, conta com uma direção de rara sensibilidade por parte de Rogério Gomes – o “Papinha”. Este jovem surfista cria um bendito “ruído” na acelerada programação da televisão brasileira, que pasteuriza novelas, comerciais, jornalismo, numa avalanche de informações, que biologicamente, o telespectador não tem condições de absorver. A direção de Rogério trabalha com a interação entre atores (personagens), e estonteantes paisagens, que alcança o espectador pelo sensorial, antes que ele possa conceituar o que está assistindo. Como conseqüência, se estabelece uma cumplicidade inconsciente, uma calma contemplação, onde o público é delicadamente “convidado” a coautoria da narrativa; ou seja: a paleta de cores (luz, figurinos, música, cenários) subverte a agressão visual provocada pela chamada “estética da velocidade”. O ritmo, assumidamente “lento”, reflete o comportamento dos habitantes das cidades do interior, mesmo com o avanço dos meios de comunicação. A câmera, em geral sempre ao nível do olhar dos atores, estabelece uma imediata empatia; as tomadas de grua “apequenando-os” em contraponto com as planícies desoladoras, criam no telespectador uma inusitada solidariedade com os personagens de Benedito, precários herdeiros de Carlitos diante dos mistérios da vida. Assim é Paraíso, um auspicioso momento de criatividade da televisão brasileira. Carlos Vereza