Carlos Vereza

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domingo, 17 de maio de 2009

O ETERNO JORNALEIRO

Benedito Ruy Barbosa, O último dos moicanos, o eterno jornaleiro, memorialista emocionado, que trocou as “madaleines” de Proust, pelos bolinhos de chuva; persistente buscador da utopia, do Brasil esquecido, que na contramão do “progresso” high tech, ainda acredita na cordialidade, na ingenuidade, ainda não de toda corrompida do povo brasileiro. Suas novelas, que eu sei ele escreve chorando, buscam – parafraseando nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade -, transmitir um país que seja mais do que “um retrato na parede” e nós sabemos como dói... Benedito está em boa companhia: Lima Barreto, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Dias Gomes, Castro Alves, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Catulo da paixão Cearense, Tom Jobim, e tantos outros, opostos dos macunaímas, dos predadores de sonhos, que se imaginam sofisticados intelectualmente e não passam de patéticas caricaturas com os olhos voltados para uma cultura esvaziada de qualquer sentido, repetitiva, eivadas de um niilismo decadente, calcadas na estética do clipe e da violência, “intelectuais” que voltam as costas ao verdadeiro país, que a despeito da avalanche de informações tecnológicas, debate-se com a miséria, com o analfabetismo, a falta de cidadania e submissos ao DNA populista de nossos governantes. Penso em Villa Lobos, que aclamado pelos grandes centros musicais, europeus e americanos, preferiu se embrenhar nas matas amazônicas e que nos deu como fruto, suas inacreditáveis sinfonias, que maravilham até hoje, os maiores eruditos internacionais. O povo precisa das novelas de Benedito, de seus personagens ainda perplexos, do chamado e rejeitado Brasil profundo, que a despeito dos apetites vorazes, do arraigado coronelismo, é de onde surgirá a Terra Prometida, o Celeiro da Humanidade. É evidente que não está se propondo uma cultura xenófoba, sobretudo com a irreversível e desejável globalização, mas é fundamental que procuremos esculpir o rosto brasileiro, ainda que coberto de rugas e sofrimentos históricos, mas ele existe; E são artistas como o Benedito, que dignificam o grande teatro eletrônico, acreditando que é possível manter viva, através do entretenimento e cultura, as profecias que apontam o Brasil como o país do futuro, e por quê não, A Pátria do Evangelho. Carlos Vereza

2 comentários:

Márcio Jaworski disse...

Oi Carlos meu nome é Márcio Jaworski, sou Procurador do Município de Campinas/SP, e seu fã. Recentemente assisti o filme Bezerra de Menezes. Muito bom. Também ando indignado com as coisas do Brasil e no meu trabalho tenho feito manifestações onde mostro tal indignação. Aliás, numa das nossas apurações recentes de furto de bem público, foi denunciado o furto de um extintor em Escola Municipal, pode???? abs.

Bia disse...

Tudo bem seu carlos Vereza, sou seu fã e genro.
Parabéns pelo Blog!
Gostaria de compartilhar minha indignação com a falta de atitude do povo brasileiro. Estou perplexo com o numero de assaltos na minha cidade natal, Passo Fundo(RS). Quase não vejo policiais na cidade e a iluminação publica a noite é precária. Minha irmã foi assaltada quando voltava da faculdade em frente a nossa residência. Levando o carro e quase foram feitos de reféns, pois os assaltantes tentaram coloca-lós no banco de trás, mas felizmente minha irmã implorou e jogou sua bolsa na calçada e no calor da situação conseguiram se livrar de ficarem dentro do veículo.
Acabamos ficando feliz por terem roubado só o carro. Veja qual é a situação que nos encontramos e como será daqui mais um tempo dada a apatia dos órgãos responsáveis.
Qual não é a surpresa ao contar para amigos o ocorrido, e os mesmos relatarem inúmeros outros casos.
É a pandemia do conformismo do povo brasileiro!
Fico feliz e comovido pelo "toque de acordar" que a novela e que todos vocês envolvidos estão realizando. E, se eu, era fã do "ultimo moicano" pelo seu talento, hoje o admiro como homem e como cidadão. Sou um admirador comprometido com a causa. Vamos acordar Brasil!
Grande Abraço,
Emiliano Ruschel - 12h, 22.05.09.