Carlos Vereza

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sexta-feira, 30 de março de 2012

Minhas desculpas!

Meus estimados seguidores peço desculpas por tanta promoção sobre o lançamento de meu livro. É mais uma generosidade da minha querida amiga, Natália Parreiras, aliás, a formatadora deste blog.
Não tenho por costume, me autopromover, sobretudo neste espaço dedicado à análises desta tão mal amada nação!

À minha estimada Natália, poeta maior e uma das coordenadoras do "Corujão da Poesia", meus sinceros agradecimentos.

Abraços fraternos,
Carlos Vereza.

quinta-feira, 29 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

DOSSIÊ GERAL DE GENETON MORAES APRESENTA O LIVRO DE CARLOS VEREZA: EFEITO ESPECIAL - ESTILHAÇOS BIOGRÁFICOS



Confira logo abaixo, a reprodução do artigo na íntegra:

"Carlos Vereza faz parte de uma liga especial de atores: aqueles que, sem aparentar grandes esforços, são capazes de “incorporar” os personagens que interpretam, como se fossem médiuns. 

Quando estrelou “Memórias do Cárcere”, Carlos Vereza incorporou, na tela, a figura do escritor Graciliano Ramos. É um dos grandes momentos do cinema nacional.

Agora, o ator que se transfigurou em tantos personagens decide se desnudar em público, num livro chamado “Efeito Especial : Estilhaços Biográficos”. É um texto curto, mas intenso e envolvente.

O “médium” Vereza fará uma noite de autógrafos  no dia 25 de março, a partir das 18 horas, na livraria República do Bardo ( Rainha Elizabeth, 122, loja E, Copacabana).

 Vereza passou anos atormentado por um “zumbido interno” que lhe incomodava desde que tombou vítima da explosão de um tiro de festim numa cena da série “Delegacia de Mulheres”.  Terminou internado numa clínica em São Paulo. Batizou o cenário de Morro dos Ventos Uivantes. 

Quando desembarca na clínica, Vereza  é informado de que iria repousar na cama que tinha sido usada por outro paciente ilustre – Raul Seixas. O enfermeiro lhe deu a notícia na vã tentativa de animá-lo.

Eis uma avant-première do texto autobiográfico de Vereza":

1
” CLÍNICA DO MORRO DOS VENTOS UIVANTES. 1990 . A clínica, suntuosa, ficava no alto de uma colina. São Paulo, inverno, vento cortante. Não sei por que me veio à mente um plano geral do filme O Morro dos Ventos Uivantes, onde o som da chuva e tempestade por instantes confundia-se com o zumbido, o que me proporcionou um grande alívio – era isso: tinha sempre que ter um grande ruído que cobrisse aquele horror na minha cabeça.

O Dr. O… dono da clínica, recebeu-me com extrema delicadeza, mas não conseguia conter a perplexidade ao apertar minha mão.

Meu aspecto era o de um aidético em fase terminal, eu estava com um pouco mais de 40 kg, trêmulo, amparado por um enfermeiro e Delma que ficou comigo, no mesmo quarto na primeira semana.

O Dr. O… e uma equipe de atendentes colocou-me em uma cadeira de rodas e conduziram-me por um interminável corredor até o quarto que eu deveria ocupar. Um dos enfermeiros, talvez para me animar, sussurrou no meu ouvido-sirene:

– Aí, ó! Você vai ficar no mesmo quarto que o Raul Seixas ficou.

Balancei a cabeça “agradecido” e o cara concluiu:

– Vai ver até que é a mesma cama!

Entramos. Era um quarto amplo, com a tal cama, uma mesa, duas cadeiras e uma pesada cortina cobrindo o que deveria ser uma janela.

(….) A enfermeira aproximou-se com a seringa, eu deitado na cama de Raul, como regularmente me era lembrado e, com o tom de voz de menininha que não cresceu:

– Senhor Vereza, sua veia é do tipo bailarina, mas fique tranqüilo, que eu sempre consigo pegar.

Pegou. Senhoras e senhores! No mesmo instante em que o líquido era injetado em minha veia, entendi por que o Seixas se internou naquela clínica: todos os tipos de drogas experimentadas na década de 70 não passavam de Melhoral Infantil comparados àquela aplicação.

Imediatamente me vi girando numa espécie de disco 78 RPM, só que meio inclinado, e cada faixa era de uma cor. Eu agarrava uma banda do tal 78 e tive a sensação de sair voando pela janela, atravessando cortinas, vidraças e o que mais tivesse pela frente!

Vi-me criança, depois adolescente, indo do Lins de Vasconcelos para Cascadura, com a merenda embrulhadinha em papel de pão e envolta num guardanapo branquinho. Vi o Zepelim no quintal de minha madrinha, e comecei a escorregar de faixa em faixa até o que me pareceu ser o pino central que fazia o disco girar.

Lá estava eu de fardinha, esperando o meu padrasto na Avenida Presidente Vargas, expedicionário que voltava da Itália: fim da Segunda Guerra Mundial. Percebi minha mãe, atravessando o cordão de isolamento e correndo atrás do jipe e tentando beijar meu padrasto e acabou batendo a cabeça no capacete dele. Ouvi até o som daquela porradinha romântica.

Aos poucos, o disco foi girando cada vez mais lentamente, meio rouco enquanto arco-íris transmutavam-se em lanternas multifacetadas brilhantes e deslocavam-se, pouco a pouco, subindo pelas paredes do quarto e, como balões japoneses, flutuavam sobre minha cabeça. Não sei quanto tempo durou.

Quando consegui abrir os olhos, a enfermeira com voz de bebê não estava mais no quarto e, em seu lugar, uma moça sentada numa cadeira ao lado de minha cama chorava copiosamente. Soube depois que se tratava de uma psiquiatra que acompanhara toda a minha “gravação” em 78 RPM”

“BREVE SOLILÓQUIO: A minha ida a Paris não teve nada a ver com o glamour de autoexilado perseguido pela ditadura (embora eu tenha sido), nem o charme de sentar-me à mesa do Café de Flore, próximo ao de Sartre e Simone. Não: o fato em si, como já disse, foram os prêmios que me possibilitaram esta viagem. Se eles tivessem como destino o Alasca, o Tibete ou o Kilimanjaro, enfim, qualquer lugar que fizesse frio e ficasse bem distante do Brasil, eu teria ido da mesma maneira.

Fui sequestrado duas vezes, torturado comme il faut, minha mãe, em consequência, teve um aneurisma e morreu em sete dias, segurando a minha mão, e eu tive que ordenar aos médicos que desligassem os aparelhos.

Minha mãe, que num conjugado de vinte metros quadrados, escondera parte do Comitê Estadual do Partido Comunista, porque o filho pedia. Eu queria sair, desaparecer deste absurdo de país, que conseguiu ir da descoberta à decadência, sem fazer baldeação. Este povo apático, desfibrado… A verdade é que a Ditadura acabou, porque não interessava mais aos Estados Unidos. Os militares dizimaram os guerrilheiros e ainda contavam com o apoio de grande parte da classe média. Poderiam, se quisessem, permanecer mais uns dez anos no poder”.

“MURO DA VERGONHA. Berlim, 1986. Antes de voltar ao Brasil, Larissa perguntou-me o que era liberdade. Como não sei o significado até hoje, aluguei um carro por 250 francos, comprei tinta, pincéis, um balde e fomos até Berlim.

Mostrei-lhe o muro – realmente uma vergonha – expliquei-lhe que aquele paredão era a falta de liberdade; que famílias estavam separadas há anos e, quem tentasse fugir do lado Oriental para o Ocidental, era sumariamente executado.

Larissa não hesitou: “pegou o espírito da coisa”, mais um pincel e pichou em azul no muro: PAZ! BRASIL! Olhou para mim toda orgulhosa…

E ali, no olhar de minha filha, esvaneceu-se o comunista dentro de mim…”



<a href="http://g1.globo.com/platb/geneton/2012/03/15/carlos-vereza-descreve-delirio-vivido-na-cama-de-raul-seixas/">Para acessar o link da publicação, clique aqui.</a>

sábado, 24 de março de 2012

Chico Anysio: a alegria de uma nação!

Chico Anysio, além de gênio absoluto na arte de interpretar, o colega solidário que criou a Escolinha do Professor Raimundo, entre outros objetivos, para empregar atores veteranos, talentosos, mas esquecidos pelo indiferente mercado de trabalho;

Chico Anysio, que fez um show beneficente para o Lar de Frei Luiz, no Teatro Carlos Gomes doando toda a renda para aquela instituição. Casa que Chico frequentava regularmente;

Chico Anysio, com quem tive a honra de contracenar na novela Sinha Moça, e que nos intervalos, nos contava, toda a história do rádio, cinema e televisão, desde seus primórdios, sempre com o seu humor inconfundivel;

Chico Anysio, que repetia para todo o elenco, uma advertência que deveria ser veiculada pelos canais de televisão: " Não me arrependo de nada do que fiz, mas maldigo cada cigarro que fumei!"

Chico Anysio, que com toda a certeza está sendo amparado pela falange de Frei Luiz: Deus lhe abençoe por ter alegrado o povo brasileiro que se identificava com cada um dos seus mais de duzentos personagens.

Receba o amor, a saudade e o agradecimento por você ter existido nesta pátria tão mal-amada e ao mesmo tempo tão iluminada por seu incomparável talento!

Do colega, fã e amigo,

Carlos Vereza.

quarta-feira, 14 de março de 2012

ANÁLISE IMPECÁVEL!

MARCO ANTONIO VILLA - O Estado de S.Paulo

O rei está nu. Na verdade, é a rainha que está nua. Ninguém, em sã consciência, pode dizer que o governo Dilma Rousseff vai bem. A divulgação da taxa de crescimento do País no ano passado - 2,7% - foi uma espécie de pá de cal. O resultado foi péssimo, basta comparar com os países da América Latina. Nem se fala se confrontarmos com a China ou a Índia. Mas a política de comunicação do governo é tão eficaz (além da abulia oposicionista) que a taxa foi recebida com absoluta naturalidade, como se fosse um excelente resultado, algo digno de fazer parte dos manuais de desenvolvimento econômico. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sempre esforçado, desta vez passou ao largo de tentar dar alguma explicação. Preferiu ignorar o fracasso, mesmo tendo, durante todo o ano de 2011, dito e redito que o Brasil cresceria 4%.



A presidente esgotou a troca de figurinos. Como uma atriz que tem de representar vários papéis, não tem mais o que vestir de novo. Agora optou pelo monólogo. Fala, fala e nada acontece. Padece do vício petista de que a palavra substitui a ação. Imputa sua incompetência aos outros, desde ministros até as empresas contratadas para as obras do governo. Como uma atriz iniciante após um breve curso no Actors Studio, busca vivenciar o sofrimento de um governo inepto, marcado pelo fisiologismo.

Seu Ministério lembra, em alguns bons momentos, uma trupe de comediantes. O sempre presente Celso Amorim - que ignorou as péssimas condições de trabalho dos cientistas na Antártida, numa estação científica sucateada - declarou enfaticamente que a perda de anos de trabalho científico deve ser relativizada. De acordo com o atual titular da Defesa, os cientistas mantêm na memória as pesquisas que foram destruídas no incêndio (o que diria o Barão se ouvisse isso?).

Como numa olimpíada do nonsense, Aloizio Mercadante, do Ministério da Educação (MEC), dias atrás reclamou que o Brasil é muito grande. Será que não sabe - quem foi seu professor de Geografia? - que o nosso país tem alguns milhões de quilômetros quadrados? Como o governo petista tem a mania de criar ministérios, na hora pensei que estava propondo criar um MEC para cada região do País. Será? Ao menos poderia ampliar ainda mais a base no Congresso Nacional.

Mas o triste espetáculo, infelizmente, não parou.

A ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, resolveu dissertar sobre política externa. Disse como o Brasil deveria agir no Oriente Médio, comentou a ação da ONU, esquecendo-se de que não é a responsável pela pasta das Relações Exteriores.

O repertório ministerial é muito variado. Até parece que cada ministro deseja ardentemente superar seus colegas. A última (daquela mesma semana, é claro) foi a substituição do ministro da Pesca. A existência do ministério já é uma piada. Todos se devem lembrar do momento da transmissão do cargo, em junho do ano passado, quando a então ministra Ideli Salvatti pediu ao seu sucessor na Pesca, Luiz Sérgio, que "cuidasse muito bem" dos seus "peixinhos", como se fosse uma questão de aquário. Pobre Luiz Sérgio. Mas, como tudo tem seu lado positivo, ele já faz parte da história política do Brasil, o que não é pouco. Conseguiu um feito raro, na verdade, único em mais de 120 anos de República: foi demitido de dois cargos ministeriais, do mesmo governo, e em apenas oito meses. Já Marcelo Crivella, o novo titular, declarou que não entende nada de pesca. Foi sincero. Mas Edison Lobão entende alguma coisa de minas e energia? E Míriam Belchior tem alguma leve ideia do que seja planejamento?

Como numa chanchada da Atlântida, seguem as obras da Copa do Mundo de 2014. Todas estão atrasadas. As referentes à infraestrutura nem sequer foram licitadas. Dá até a impressão de que o evento só vai ser realizado em 2018. A tranquilidade governamental inquieta. É só incompetência? Ou é também uma estratégia para, na última hora, facilitar os sobrepreços, numa espécie de corrupção patriótica? Recordando que em 2014 teremos eleições e as "doações" são sempre bem-vindas...

Não há setor do governo que seja possível dizer, com honestidade, que vai bem. A gestão é marcada pelo improviso, pela falta de planejamento. Inexiste um fio condutor, um projeto econômico. Tudo é feito meio a esmo, como o orçamento nacional, que foi revisto um mês após ter sido posto em vigência. Inacreditável! É muito difícil encontrar um país com um produto interno bruto (PIB) como o do Brasil e que tenha um orçamento de fantasia, que só vale em janeiro.

Como sempre, o privilégio é dado à política - e política no pior sentido do termo. Basta citar a substituição do ministro da Pesca. Foi feita alguma avaliação da administração do ministro que foi defenestrado? Evidente que não. A troca teve motivo comezinho: a necessidade que o candidato do PT tem de ampliar apoio para a eleição paulistana, tendo em vista a alteração do panorama político com a entrada de José Serra (PSDB) na disputa municipal. E, registre-se, não deve ser a única mudança com esse mesmo objetivo. Ou seja, o governo nada mais é do que a correia de transmissão do partido, seguindo a velha cartilha leninista. Pouco importam bons resultados administrativos, uma equipe ministerial entrosada. Bobagem. Tudo está sempre dependente das necessidades políticas do PT.

A anarquia administrativa chegou aos bancos e às empresas estatais. É como se o patrimônio público fosse apenas instrumento para o PT saquear o Estado e se perpetuar no poder. O que vem acontecendo no Banco do Brasil seria, num país sério, caso de comissão parlamentar de inquérito (CPI). Aqui é visto como uma disputa de espaço no governo, considerado natural.

Mas até os partidos da base estão insatisfeitos. No horizonte a crise se avizinha. A economia não está mais sustentando o presidencialismo de transação. Dá sinais de esgotamento. E a rainha foi, desesperada, em busca dos conselhos do rei. Será que o encanto terminou?

*HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR)

sexta-feira, 2 de março de 2012

CINISMO PETISTA!

O lulopetismo não tem autoridade moral para instaurar qualquer Comissão da Verdade enquanto os assassinatos de Celso Daniel, prefeito de Santo André, e Toninho, prefeito de Campinas, não forem elucidados. A tese de "crime comum" defendida "ardorosamente" pela máfia petista, não se sustenta, sabendo-se do forte esquema de corrupção e cobrança  de propinas existente à época, sobretudo em Santo André, para "irrigar" campanhas eleitorais do lulopetismo!

Por extranha "coincidência", a Comissão da Verdade, acontece justamente quando se aproxima o julgamento do Mensalão...ou seja: nada mais apropriado para desviar as atenções da opinião pública e da midia em geral!

O que falta ao lulopetismo eu tenho a meu favor : autoridade moral -pois fui sequestrado e torturado por duas vezes no DOI-CODI, sendo que na segunda ocasião, fiquei trancado por oito dias numa cela na Barão de Mesquita.

Eu também gostaria de saber o local onde foi sepultado o meu amigo Thomas Meirelles,sequestrado e desaparecido durante o regime militar. Mas se houve um acordo ou anistia valendo para os dois lados, mudar agora a regra do jogo, não passa de mais uma armação de marketing de um partido que levou o país a niveis de corrupção jamais vistos desde a proclamação da república!

Carlos Vereza.