Carlos Vereza

Loading...

MENU

Navegue pelas veredas do Vereza clicando nas opções abaixo:

domingo, 23 de agosto de 2009

NOITES DE CIRCO

“Sei que é doloroso um palhaço se afastar do palco por alguém.Volta, que a platéia te reclama, sei que choras palhaço, por alguém que não te ama." Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Em 1953, quando foi lançado nos cinemas da Suécia, o filme foi massacrado pela crítica que o classificou no mínimo, de “desagradável”, “chocante” e “um vômito de uma refeição mal digerida.” Já Pauline Kael, considera Noites de Circo como “um dos mais sombrios filmes de Bergman, onde ninguém se salva da danação total.” Revi-o quarenta e poucos anos depois de sua estréia no Brasil. À época, não apreendi o forte aspecto existencial do filme. Acreditava que existia um projeto de felicidade para o Ser Humano, com Glenn Miller como fundo musical... Percebi, com o tempo, que a “coisa” era mais para Charlie Parker soluçando ao sax, Around Midnight e morrendo drogado aos trinta e quatro anos. Digressões à parte, meu reencontro com Noites de Circo, foi um verdadeiro soco abaixo da linha da cintura. Bergman não tem exatamente uma visão Pollyanna da vida. Cada fotograma exala desesperança, e ao mesmo tempo, uma enorme ternura pela precariedade da condição humana. No primeiro plano, carroças silhuetadas no cimo de uma montanha, deslizando como um cortejo fúnebre. Ouve-se o canto de um galo. O primeiro. Depois, Frost, o palhaço, numa cena antológica, carregando sua mulher que nadava nua para a delícia de um bando de soldados, numa incrível fotografia expressionista do mestre Sven Nykvist, remetendo a Cristo carregando a cruz no calvário. As quedas, a humilhação. A precariedade do circo ambulante, a pobreza dos esquetes, a interpretação de Ake Gromberg no limite da “teatralidade”, mas com uma intensidade emocional raramente vista. O público zombando às gargalhadas do chefe da trupe, gordo, patético, sendo espancado pelo ator que o traíra com sua jovem amante. O segundo canto do galo. O circo, em preto e branco – sacada de gênio fugindo do previsível: cores, música esfuziante, a “alegria” que permitiria o escapismo ao espectador. E no final, Bergman, leitor de Nietzsche, o reverencia: O eterno retorno. Em sentido contrário, as carroças no mesmo cimo da montanha silhuetadas, fecham o circulo. Negra imagem. Negro destino. O terceiro canto do galo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Hamlet: Não há em toda Dinamarca um só canalha que não seja... um patife consumado.

Essa "nova" UNE, raquítica de ideais, não pode ser descartada de um projeto maior, megalômano, não só de perpetuação no poder do senhor Luiz Ignácio, mas de um ultrapassado antiamericanismo, compactuado pelos países da Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela, com o psicopata Chavez, implantando com a simpatia de Lula, um regime ditatorial, anulando, inclusive pela violência, a liberdade de órgãos de comunicação que não se submetem ao seu despotismo. Cabe à "nova" UNE, minimizar a natural tendência dos jovens estudantes à contestação, própria de sua faixa etária; às centrais sindicais, aparelhar não apenas os sindicatos, como também a máquina governamental. Os intelectuais e artistas - com as devidas ressalvas -, silenciosos, ávidos por um patrocínio, ou quiçá, por uma bolsa de "aperfeiçoamento" no exterior. Como se não bastasse, o Brasil pratica a pior política externa de todos os tempos: Uma verdadeira teia de "solidadariedade", estende-se ao Irã, do lunático Almadinejad, à Coréia do Norte do moralmente minúsculo, Kim Jong-Il, sem esquecer, é claro, a indisfarçável leniência para com os narcotraficantes das Farcs. Lula, "orientado" pelos teóricos do PT, segue, de "ouvido", as formulações do defasado pensador italiano, Antonio Gramsci (o Príncipe moderno...) servindo-se da democracia, para posteriormente destrui-la. A bolsa anestesía, exclui a população mais necessitada de qualquer possibilidade de acesso à cidadania, tornando-se, para utilisar um jargão "esquerdista", verdadeira massa de manobras. A desmoralização do Legislativo, do Judiciário, o desmonte das Forças Armadas, os bandoleiros do MST, são dados que formatam uma estratégia que poderá nos levar à uma "democracia" plesbicitária, e à uma oposição figurativa. E a "nova" UNE, cumpre, talvez, a mais insidiosa dessas tarefas: a de manter apática e colonizada culturalmente, o que poderia ser a renovação de uma prática política cruel e apodrecida.

domingo, 9 de agosto de 2009

Névoas... 2

Os cientistas mais otimistas, calculam, em 4.000.000 de anos, o tempo para o sol "beijar" a Terra num suicídio apocalíptico. As memórias, os amores, os pudores, serão pó de estrelas, já mortas... Restarão os bons e maus poemas, estilhaços que tocarão astronautas há milênios desprendidos de suas naves; grotescas formas, flutuando num universo sem sentido... Seres alienígenas, olharão, sem curiosidade, tudo aquilo que foi sem ser, e que agora é vento que passa, silêncio e obsoleta vaidade... Nenhum vento, ruído; nada que possa lembrar qualquer vestígio de vida; apenas opacas silhuetas soltas, olhos eternamente abertos e vazios, através dos vidros dos capacetes. Pálido testemunho do horror...

Névoas... 1

A insanidade convidava-o ao abandono total, absoluto, onde anjos condescendentes o acolheriam, como uma criança desvalida procurando afeto... Quadro a quadro, ele veria sua conturbada existência, a jogá-lo como um náufrago agarrado inutilmente a destroços que se desfaziam, enquanto o mar o aconchegava como um filho pródigo... Cambalhoteando, de existência em existência... Milhares de anos, para tornar-se um frágil espectro, suplicante de uma aceitação que tardava... ...Sempre.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O falso e o correto

"A Divindade está presente em todas as coisas como essência, como açúcar na cana e manteiga no leite. Deus está presente tanto no bem quanto no mal, na verdade é na inverdade, no mérito e no pecado. Sendo assim, como pode o indivíduo determinar o que é falso e o que é correto?" Sai Baba